Infraestrutura Ágil e o #TheDevConf

O The Developers Conference Porto Alegre 2016 se aproxima, e nele teremos pela segunda vez a trilha Infraestrutura Ágil, a trilha do TDC voltada especialmente para profissionais de infra e operações. O termo é ainda meio novo, e gerou algumas dúvidas e confusões, até por sua intersecção com o que o público espera também do termo DevOps, que é outra trilha do evento. Depois de eu ter melhorado a descrição da trilha no site, fui instigado pelo Linuxmen a fazer deste meu primeiro post aqui no Papo. E aqui estamos.

 

Infraestrutura Ágil, o que é isso?

Infraestrutura Ágil é um termo que vem crescendo no Brasil, capitaneado em sua maior parte pelo Guto Carvalho e o Miguel Filho, figuras muito conhecidas aqui pelo seu trabalho com Puppet pela Instruct.  Ele descreve boas práticas a serem utilizadas dentro de times de operações e infraestrutura, partindo da visão de sysadmins conectados aos modelos ágeis.

As boas práticas reunidas por esse conceito infraestrutura ágil são muito apoiadas na abordagem de infraestrutura como código, e são divididas em 4 eixos principais: Automação, Entrega, Métricas e Pessoas.

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Automação

Automação é um pilar fundamental de qualquer abordagem moderna para a infraestrutura de TI.  Ferramentas de gerência de configuração, orquestração e provisionamento nos colocam no mundo da infraestrutura como código, e além de trazer benefícios de produtividade, consistência e velocidade na instalação e manutenção de servidores, nos habilita para uma série de outras boas práticas, como versionamento do ambiente,  revisão de código entre os pares, execução de testes automatizados, e a criação de soluções self-service. E além disso, torna a manutenção de uma documentação sincronizada com a realidade muito mais fácil ou até trivial, pois o próprio código é documentação dos processos e sistemas, uma documentação executável.

Soluções self-service são fundamentais para agilizar processos entre times dentro da empresa . Em vez de criar um chamado ou tíquete para outra equipe executar uma configuração ou procedimento que necessito, não é muito melhor se eu mesmo puder realizá-la? Se tal tarefa está automatizada, tudo que é necessário é prover uma interface para executá-la de forma organizada, controlada (com permissões e cotas) e auditável.

Entrega

A entrega de software para o usuário final deve ser automatizada, integrando o sistema de controle de versão do código, um repositório de artefatos e uma esteira de testes automatizados para avaliar a qualidade do código.  Deve ser um processo rápido e dirigido pelos times testes e de negócio, e não pelo time de infraestrutura. O processo pode ter etapas com intervenções ou decisões humanas, mas estas vão sendo reduzidas conforme o processo automatizado de entrega amadurece.

Métricas

Não se gerencia aquilo que não se mede. E é preciso ir além das medidas básicas de consumo de recursos ou disponibilidade de processos ou portas de rede. É preciso descobrir quais métricas são importantes para o negócio. Pode ser o número de usuários de uma aplicação ou o seu desempenho.  Ou a frequência de uma certa situação de erro. Ou alguma correlação de várias métricas separadas. Muitas não estarão prontamente disponíveis e será preciso verificar como gerar, obter, armazenar, e visualizar e/ou consumir esses dados. É importante que no desenvolvimento de aplicações isso seja considerado desde a concepção do projeto.

Pessoas

Não há infraestrutura ou processo que funcione sem as pessoas por trás deles. São elas que fazem a maior diferença, e para funcionar bem como um time, precisam se comunicar bem, ter liberdade para se expressar e criar, e saber onde se quer chegar. Também precisam de direcionamento e foco. Cada equipe tem suas peculiaridades, e as de infraestrutura são diferentes das de desenvolvimento, mas várias técnicas dos métodos ágeis podem ser adaptadas com sucesso para infraestrutura, como Kanban ou até Scrum. As abordagens mais modernas de gestão e liderança reunidas no conceito de Management 3.0 também devem estar na caixa de ferramentas dos gestores e líderes de times de infraestrutura.

 

Recentemente o Guto, o Miguel, e outros nomes experientes da comunidade colocaram no ar o site infraagil.io, que ainda está em beta, mas já tem uma grande quantidade de informações e referências sobre o assunto, inclusive uma seção com diversos links para artigos e softwares relacionados a cada um dos eixos acima.

 

Mas espera… isso não tá muito parecido com DevOps?

Há muita confusão sobre o termo DevOps. E  certamente infra ágil tem muito a partilhar com ele, mas DevOps não se limita à área de Infra ou mesmo à tecnologia. DevOps é uma cultura de integração de várias áreas de uma empresa de forma alinhada ao negócio,  apoiada por práticas e tecnologias que podem ser aplicadas para alcançar esses objetivo. As tecnologias e práticas mais comumente associadas a aplicações de DevOps (como automação, CI, CD, etc.) acabam recebendo essa etiqueta, DevOps. O que ainda gera controvérsias e mal entendidos.

E é muito difícil, senão impossível, aplicar DevOps de fato sem o apoio e comprometimento dos níveis mais altos de gestão de TI na empresa.  Mas isso não impede as equipes de infraestrutura de adotarem dentro do seu domínio práticas mais modernas e mais ágeis. Na infraestrutura ágil, temos o foco total nos desafios particulares de infraestrutura, seja aquela de ambientes legados buscando se transformar, ou a que já nasceu moderna e está constantemente evoluindo, inclusive nas empresas que sequer tem um time de desenvolvimento, e apenas integram soluções externas.

 

Infraestrutura Ágil no #TheDevConf

Recentemente, no The Developers Conference (TDC) São Paulo ocorrido neste julho de 2016, após um convite feito pelo Christiano Linuxmen aqui do Papo e os organizadores do evento, nasceu a trilha Infraestrutura Ágil, para ser a primeira trilha deste tradicional evento da TI brasileira dedicada especialmente a profissionais de infraestrutura e operações, e ser também um canal de difusão e discussão desse conceito no país. A trilha foi coordenada pelo Guto Carvalho, pelo Linuxmen e também por mim, Diego Morales. E felizmente ela foi um grande sucesso, com lotação esgotada e excelentes palestras na sua programação.

Agora no TDC Porto Alegre, que acontece de 5 a 8 de outubro, teremos novamente essa trilha. Devido a outros compromisso de trabalho, o Guto não participará dessa vez, mas Linuxmen e eu seguimos, e chamamos o Rafael Gomes para nos ajudar. O Call 4 Papers terminou sexta passada e estamos preparando a grade, que esperamos divulgar em breve. E as inscrições estão abertas.

Esta é uma trilha feita por sysadmins, para sysadmins, aqueles que estão buscando e criando abordagens e tecnologias modernas para o seu trabalho. Para aqueles que estão na crista da onda com ambientes modernos em constante evolução, e também para aqueles com ambientes legados em mãos, buscando transformação, atualização. E claro, é também para desenvolvedores que estejam querendo aprender mais sobre infraestrutura. Ela representa muito bem o que se discute e apresenta aqui no #papodesysadmin.

E para finalizar este post, apenas lembro/aviso que nesta terça-feira 30 de agosto às 20:30 teremos um webinário TDC Online apresentando as trilhas Infraestrutura Ágil, DevOps, Cloud Computing  e Testes. A inscrição é gratuita, todos podem participar!

Webinário TDC Online Infra Ágil 30 Agosto

 

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