Que o objetivo operacional é fomentar a colaboração entre as equipas de desenvolvimento e de operação muita gente já sabe, mas qual o objetivo de negócio que justifique tamanho esforço para a mudança de cultura?

Se lembrarmos, nas últimas décadas, o modelo das organizações foi baseado no conceito de estabilidade operacional, pensado para resistir às mudanças. Quando novidades como DevOps coloca por terra esses conceitos, as empresas tentam resistir, mas em nome da sobrevivência se rendem e criam projetos que tentam incorporar todas as prováveis mudanças que estejam ocorrendo.

É claro que este modelo que permeou e ainda permeia as diretrizes e modelos de governança da área de TI refletem claramente na busca pela estabilidade e a resistência a mudanças.

O grande desafio para os executivos de TI é sustentar um modelo rígido resistente a mudanças, em mundo onde a instabilidade virou regra, onde tempo e adaptabilidade é essencial para sobrevivência empresarial, não há outra saída os métodos e práticas de TI estão sendo ajustados à velocidade das mudanças do cenário empresarial atual.

As questões feitas há anos atrás a TI estavam intimamente ligadas a indisponibilidade, contingencia e missão crítica, atualmente são questionados a responder se estão preparados para enfrentar competidores que surgem inesperadamente, se estão preparados para compreender que o sucesso do negócio está diretamente ligado ao sucesso dos seus sistemas?

Não há dúvida que a cabeça do gestor de TI tem que mudar e compreender muito mais sobre negócio do que lhe era exigido há alguns anos, é fundamental que todos envolvidos no desenvolvimento e sustentação dos sistemas rompam seus feudos e entendam que aprender sobre negócio não é mais um diferencial e sim uma necessidade de sobrevivência.

É fundamental entender as pesquisas recentes que mostram onde estão os grandes benefícios com a implantação da metodologia DevOps: diminuição com os custos com a infraestrutura; a velocidade para acelerar o time-to-market em até 30%; a importante redução de falhas de código que chega a 80%; e principalmente o aumento da satisfação dos clientes, que em última instancia é quem paga a conta e uma vez satisfeito contrata novos desenvolvimentos.

Por fim podemos afirmar que a implantação da metodologia DevOps que assegura a entrega correta de software passou a ser vital para obter sucesso e sobrevivência para o negócio e para TI.

As empresas que estão optando por aproveitar os benefícios do DevOps estão experimentando ganhos relacionados à eficiência operacional, à fluidez na comunicação entre as equipes, à redução de custos da TI e à maior satisfação dos clientes internos e externos. Conheça as melhorias trazidas pela cooperação entre desenvolvimento de software e operação:

  • Integração entre áreas
  • Simplificação de processos
  • Automação de tarefas
  • Racionalização de processos
  • Modernização da TI da empresa
  • Estímulo à colaboração
  • Empoderamento dos times de TI
  • Elasticidade e escalabilidade

Como adotar a cultura Devops para o negocio

Já foi mencionada a linha da TI bimodal, focada em unir tradição à inovação. Como decorrência dessa filosofia, algumas metodologias surgiram e dão suporte a esse novo jeito de pensar a contribuição tecnológica aos negócios.

Uma delas é o método Ágile, que busca dar celeridade ao desenvolvimento de software. Dentre os pilares desse pensamento estão:

  • a entrega contínua de pacotes menores, mas de valor importante para o cliente;
  • a desburocratização e a redução das passagens de mão;
  • e a automação de processos, como testes e deploy.

Tudo isso enseja uma mudança de cultura organizacional. E os motivos são óbvios: não há como transformar uma realidade interna sem que crenças anteriores e limitantes sejam derrubadas e sem que haja condições favoráveis para o novo se instalar.

Assim, DevOps acaba sendo mais do que uma metodologia ou um conjunto de ferramentas. Ele assume o papel de ser uma nova mentalidade, calcada em conceitos e em passos para automatizar o processo de desenvolvimento tanto quanto possível.

Cada empresa precisa reconhecer as suas especificidades para estabelecer uma situação favorável à internalização do DevOps, mas alguns caminhos provavelmente serão comuns a todas elas.

Profissionais de TI acostumados a frameworks bastante consolidados no mercado, como ITIL e Cobit, consideram que não há como conjugar esses métodos tradicionais com o DevOps.

O 1º argumento para derrubar essa ideia é a origem do DevOps. Já dissemos que ele está inserido no contexto da TI bimodal, que alia as convenções já estabelecidas com inovações. E isso, por si só, contraria a noção de exclusividade de um método oriundo desse tipo de filosofia.

Nas organizações onde já há DevOps implementado, é comum a convivência pacífica com outros modelos. O importante é saber quais processos migram para o novo método e quais permanecem no antigo. Além disso, resolver como esses 2 polos se comunicarão é o “pulo do gato” para uma gestão eficiente desse bi modalidade em TI.

Implantando Devops no negócio.

O mercado de TI está acostumado a frameworks e a modelos baseados em livros e em disciplinas consolidadas. Mas, de uns tempos para cá, está se estabelecendo o pensamento de que boas práticas não necessariamente precisam compor uma metodologia formalizada.

Esse é o caminho do DevOps, que vem ganhando força não por um discurso de sucesso, mas sim por exemplos concretos de transformação da TI de empresas e, especialmente, pelos bons resultados colhidos pelo cliente.

Esse modelo de atuação em TI tem foco em questões menos técnicas e mais comportamentais, envolvendo iniciativas para que haja sinergia entre equipes. Como retornos, o modelo oferece muito mais agilidade nos processos de desenvolvimento e de implementação de software, automação de etapas, simplificação de fluxos de trabalho e menor tempo de resposta ao cliente.

Em um mercado cada vez mais exigente, intolerante a falhas e que precisa lidar com mudanças constantes, o DevOps cai como uma luva. A sua capacidade em reduzir distâncias, eliminar empecilhos e fazer com que todos falem a mesma língua é algo importante.

Com esse diferencial, negócio e TI passam a conversar mais francamente. Equipes de TI começam a funcionar como peças de um mesmo quebra-cabeça; as entregas ocorrem em menor tempo, com mais qualidade e menor custo; o cliente percebe valor nas entregas, mesmo de escopo reduzido.

E aí entra uma questão altamente relevante nos dias atuais: a satisfação do cliente. Oferecer a ele, que é a razão de ser de qualquer negócio, uma experiência superior ao que ele está acostumado é um fator de aumento de competitividade.

Para que a migração do modelo atual para o DevOps ocorra sem traumas, a gestão da TI precisará lançar mão da boa e velha tríade das teorias da Administração:

  • processos;
  • pessoas;
  • e ferramentas.

No caso de processos, o importante é revisar e flexibilizar os fluxos atuais. Quanto às pessoas, o foco é capacitação. E, no quesito ferramentas, é fundamental escolher as mais adequadas às necessidades do negócio. O toque final vem da 4ª base: a cultura organizacional.

Só assim o DevOps entra em uma empresa para ficar. Só assim ele poderá contribuir, efetivamente, para uma nova era na TI de uma organização. Por isso, gestores de TI que ainda não dominam o assunto não podem hesitar em iniciar a jornada de entendimento do que é DevOps.