Sua organização é fake agile?

Você já ouviu falar alguns destes termos?

“Quem é a pessoa na liderança da squad para vir falar comigo?”


“Nosso roadmap está cravado em pedra.”


“Qual a porcentagem de certeza que você vai mesmo fazer essa entrega dessa feature?”


“ — Oi, preciso de alguns documentos sobre o produto, onde posso achar?”

– Aqui é ágil, ágil não tem documento!”


“ — Que características você pode me dizer para eu saber que vocês trabalham com métodos ágeis?

– Temos post-its na parede, uma sala com jogos e fazemos uma reunião todo dia..”


“Primeiro dia da Sprint e perguntam:

– Qual o cronograma das entregas do roadmap?”


Se você nunca ouviu falar nisso, PARABÉNS sua/essa empresa é incrível e está de fato vivendo e respirando um mindset de business agility e vivendo a cultura ágil, que diga-se de passagem, são a minoria aqui no Brasil. Agora se você ouve com frequência algum desses jargões, bem vindo ao mundo real.

Escutamos os C-Level, gerentes e até mesmo funcionários de organizações de médio e grande porte com as seguintes frases: “estamos implantando o ágil”; “estamos no processo de transformação digital e já temos uma área digital”. A questão de transformação digital não é uma implantação é sim um mindset diferente. Ninguém “implanta” um novo pensamento em você, a não ser que te façam uma hipnose (risos); e é exatamente por isso, que escutamos todos os dias os jargões que são usados nas organizações “fake agile”.

Mas afinal o que é transformação digital ou uma empresa ágil?

Existem inúmeros artigos na internet sobre o assunto, mas a ideia e o contexto que a transformação digital traz é uma jornada na qual as empresas fazem uso da tecnologia para melhorar o desempenho, aumentar o alcance e garantir resultados melhores utilizando-se de métodos, técnicas e ferramentas que dão maior cadência nas entregas e que de fato entregue valor para o cliente (quando digo valor, é um fator extremamente intangível, porque cada pessoa tem uma percepção de valor diferente).

Digamos que é uma mudança estrutural e cultural das organizações visando a rápida adaptação do ambiente VUCA (um acrônimo para descrever quatro características marcantes do momento em que estamos vivendo: VolatilidadeIncertezaComplexidade Ambiguidade).

Pode parecer que a transformação digital é algo simples, divertido, colorido e muito legal por que todas as empresas estão indo surfar nessa onda. Mas, na realidade é algo extremamente complexo, porque envolve fatores culturais. Não é um treinamento de Scrum, Kanban ou lean, ou post-it na parede que vão dizer que sua organização é ágil. O que vai dizer isso é o quão flexível, adaptável e veloz ela e seus funcionários reagem às mudanças do contexto atual. É o que vai levar a empresa a um novo patamar ou a falência.

E por que grandes empresas têm dificuldade em se adaptar ao modelo ágil?

Com o surgimento de novas tecnologias as empresas tradicionais ou podemos denominar também como nascidas na era não-digital não foram capazes de acompanhar essa velocidade de adaptação ao ambiente VUCA, e pior, seus concorrentes tiveram essa capacidade ou nasceram como empresas ágeis. Como exemplo reconhecidos temos o Spotify e Nubank.

O que impede as empresas tradicionais de fazer essa mudança, é exatamente a burocracia, a visão de “caixinhas”, processos e hierarquia que não cabem mais no mundo atual. Assim, elas acabam se tornando uma organização “fake ágil”, por que ao invés de ir mudando aos poucos o mindset elas implantam as ferramentas e técnicas ágeis em um alicerce burocrático e hierarquizado. Por isso, não há ganhos de performance ou real adaptabilidade ao ambiente VUCA.

Enfim, se eu pudesse dar uma dica para essas empresas que estão “implantando ágil”, olhe para o que está sendo feito e dito, se parecer com os jargões que eu trouxe nesse artigo, acenda a luz vermelha “empresa fake agile”.

Artigo original publicado em www.mirellynogueira.com.br

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